O Milton deixou o seguinte comentário no post abaixo e pensei: por que não?
“Só lamento por tua noite de sexta; afinal, sei tratar-se do jantar mais caprichado da semana. A propósito, devias publicar tuas receitas. Não sei se ainda estás interessada, mas acho que ia chover homem na tua horta.”.
Não quero escrever este post pelo motivo alegado, mas pelo simples e puro prazer de cozinhar!
Algumas vezes ouvi que você deve gostar de fazer, de elaborar um prato ou jantar para que fique mais gostoso. Acho – não! Tenho certeza – que esse é o segredo: amo cozinhar.
E por que ele comentou isso? Sexta é dia de “ritual” neste lar: massa e vinho. E acho que deve ter sido, também, por causa da receita, que segue logo abaixo, que eu enviei à sua esposa. Só faltou saber se ele e a Cláudia já testaram.
Mas, antes de dicas e receitas, quero fazer uma pequena explanação sobre a arte de cozinhar.
Quem lê o Allan sabe que este brasileiro perdido em terras italianas dedica-se à arte, também. Não raro, encontro receitas divinas pairando em seu blog.
Acho que cozinhar, antes de ser mais uma função dentre tantas contidas no pacote “serviços domésticos” que executamos em casa, deve seguir rituais. Deixe o lavar roupa, banheiro, tirar o pó para o quesito “obrigação”.
Inclua o cozinhar na categoria máxima. A não ser que você não saiba diferenciar champignon de escarola. Aí, amigo (a), esqueça!
Mas, falemos um pouco sobre rituais. O que são? Quais rituais devemos seguir ou fazer com que façam parte do gosto por pilotar panelas?
Fatiar um dente de alho para fritar junto com um bife de filet mignon.
Cortar um pimentão em rodelas e, depois, transformar estas rodelas em quadrados.
Derreter manteiga em fogo bem baixo, meneando a frigideira (ou panela) delicadamente para os lados, apreciando o dissolver.
Levantar a tampa da panela onde seu molho de tomates frescos, vermelhos e suculentos, está cozinhando por 2, 3 horas, em fogo brando.
Doar-se na hora de preparar um simples arroz branco.
Mas, voltando. Vou contar um segredo: minha mãe orgulha-se (e fala aos 4 ventos) de nunca ter ensinado as filhas a cozinhar. Fomos no “olhômetro”. Minha irmã gosta do trivial simples. Eu já procuro receitas novas e, se não gosto de algum ingrediente, sou capaz de identificar o substituto e refazer a receita, mudando até o modo de preparo.
E mais uma observação antes de partimos para os “finalmentes”. Não gostar de determinado alimento, para quem gosta de cozinhar, não é empecilho algum para o prato não ser feito. Não gosto de berinjela e, mesmo assim, fiz uma para comer com pão italiano, que fez muita gente babar. Ok, confesso! Minha mãe testou o sal!
Então, vamos parar de prosopopéia para ruminante dormitar (conversa para boi dormir) e vamos para as receitas e dicas!


1 – A receita para Cláudia e Milton – Uma massinha para aves, peixes e queijos

Essa massa eu uso com:
- Filé de pescada branca, cortada em tiras grossas e temperadas com limão, alho, sal, pimenta-do-reino e shoyo;
- Filé de frango, cortado em tiras grossas e temperados com alho, sal, cebola, um pouquinho de orégano e shoyo;
- Camarão temperado com limão, alho, sal, pimenta-do-reino e shoyo;
- Queijo tipo minas frescal ou queijo de coalho (daqueles de saquinho, com espeto). São bons porque não derretem. A mussarela “escapa” da massa. Eu não costumo temperar, mas vai do gosto de cada um.

A massa:
- 2 colheres (sopa) de farinha de trigo
- 2 colheres (sopa) de farinha de milho (eu uso a amarela)
- 1 colher (sopa) de maisena
- Sal a gosto
- Água

Misture as farinhas e o sal. Vá adicionando água até obter um ponto mais “duro” que uma massa de bolo. Deve escorrer da colher, mas não pode ficar muito molenga.
Aí, é só mergulhar um dos “recheios” acima no recipiente onde você preparou a massa e fritar em óleo quente (mas não muito alto porque a carne precisa cozinhar).

Versão (0): Afonso, amore. Perdoe-me! Esqueci que você também é ótimo cozinheiro! Por exemplo, na minha frigideira cabem de 7 a 8 pedaços de frango, peixe ou unidades de camarão. Então eu jogo essa quantidade dentro do recipiente onde fiz a massa, até ela envolver todos os pedaços, retiro-os com a mão e coloco-os na frigideira com bastante óleo. Respondi?


2 – Estrogonofe

Eu nunca fiz com catchup. Geralmente uso polpa de tomate – de caixinha, mesmo. Mas, experimente trocar por mostarda escura! Além de ser mais saborosa, é menos ácida que a amarela. Aliás, ela serve para temperar carnes e aves.


3 – Arroz branco todo dia?

Não há quem agüente! Vamos incrementar isso. Do mais simples ao mais elaborado.

* Sazon. Baratinho. Fácil de fazer. No cozimento, para cada xícara de arroz, um pouco menos de um envelope. A embalagem vermelha (carnes, legumes e arroz) ou a laranja (massas, batata e arroz) são as mais indicadas.

* Queijo coalho. É. Aquele mesmo usado na receita da massinha. Picadinho. Mas só misture depois que o arroz estiver cozido. Ou quente.

* Bacon. Frite o bacon picado num fio de óleo, já que ele vai soltar mais. Depois que ele ficar dourado, misture o arroz cozido e cebolinha fatiada.

* Camarão fatiado. Frite o camarão num pouco de óleo e margarina (para não ressecar). Depois de frito, misture o arroz cozido e cebolinha fatiada.

* Ahhh, risotos. Isso merecia um post só para eles, mas vamos ser rápidos aqui. Compre açafrão. Um pó amarelo e sem gosto forte. Pode fazer com arroz comum, mas coloque mais água que o normal (normal = para cada xícara de arroz, duas de água fervente). Lembre-se que risotos pedem um arroz úmido. Champignons fatiados. Queijo parmesão ralado. Frite o arroz, coloque a água e uma colher (sopa) de açafrão – uma para cada xícara. Cozinhe com os champignons. Ao servir, polvilhe, sem dó, com parmesão.

Bom, para o primeiro post, tem coisa demais. Vamos fazer o seguinte. Quem testar uma dessas dicas, me avisa e diga o que achou.
Agora, se me dão licença, sexta-feira batendo à minha porta. Vinho rose, frisante, gelando. Molho pronto. E uma bela lasagna a ser servida.
Bon appétit!


Autoria:
Sandra Pontes


®
TEXTO REGISTRADO NA BIBLIOTECA NACIONAL. PROIBIDA REPRODUÇÃO SEM PRÉVIA AUTORIZAÇÃO. SUJEITO ÀS PENALIDADES PREVISTAS NA LEI 9.610/98 DE DIREITOS AUTORAIS.
PLÁGIO É CRIME! E OS TEXTOS CONSTANTES NA INTERNET POSSUEM UM AUTOR. PENSE NISSO ANTES DE USAR O COPIAR/COLAR.



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Comments


This entry was posted on Thursday, February 8th, 2007 at 9:41 pm and is filed under Comidinhas, Mosaico. You can follow any responses to this entry through the RSS 2.0 feed. You can leave a response, or trackback from your own site.

16 Corajosos!!!


  1. Leonardo on February 8, 2007 10:31 pm

    oi ,sabe quem sou eu? seu filho. quanto tempo né? 5 minutos(+ ou-).só estou escrevendo para todo mundo saber que: eu te amooooooooooo.

  2. Yvonne on February 9, 2007 6:47 am

    Sandra, aqui em casa esse prazer fica a cargo do Antonio. Confesso a você que não sinto prazer em cozinhar. Até faço comida gostosa, mas não curto muito. Querida, continuo mal, muito mal. Beijocas

  3. Kith on February 9, 2007 9:08 am

    Eu fico no trivial-simples. Mas gosto de cozinhar e ver as pessoas comendo com gosto….
    Vou experimentar a receita da massa.
    Beijos

  4. marconi leal on February 9, 2007 11:48 am

    Putz, hora do almoço, eu morrendo de fome, sem perspectivas de me alimentar pelas próximas duas horas e lendo isso aqui. Que sacanagem!

  5. Luma on February 9, 2007 11:50 am

    Eu nunca soube que neste blogue se comentava ou melhor, que se poderia comentar, até que li que o Milton comentou. Onde, onde?? O último recurso foi acessar o link permanente.
    Algumas pessoas entendem que cozinhar seja unicamente jogar ingredientes na panela. Cada alimento possue uma energia, combinação e reação diferentes e isso deve-se respeitar.
    A inspiração de cozinhar vem também de quem queremos agradar. Será que foi isso que o Milton quis falar?
    Excelente Sexta-feira!!
    Beijus

  6. D. Afonso XX o Chato on February 9, 2007 3:58 pm

    “Aí, é só mergulhar um dos “recheios” acima no recipiente onde você preparou a massa e fritar em óleo quente (mas não muito alto porque a carne precisa cozinhar).”

    Não entendi isso. O que significa “mergulhar”? É misturar o recheio na massa? Como fazer a fritura? Tudo junto, ou pega-se por “partes” e vai fritando? Desculpa, mas não ficou claro, ao menos para mim. Queria fazer, mas preciso entender. bjs

  7. Allan on February 10, 2007 4:02 am

    O Milton tem razão: ia chover homem na sua horta. É por isso que não publico meu endereço. Tenho alergia a homens.

    Escolha umas abobrinhas pequenas, corte-as ao meio em sentido longitudinal (de comprido, mesmo!), retire parte do miolo, ponha as metades de abobrinhas em uma assadeira e na concavidade formada ponha pedaços de bacon e queijo. Leve ao forno e sirva depois de assadas. Minhas meninas adoram.

  8. D. Afonso XX o Chato on February 10, 2007 9:42 am

    Gracias pela explicação. O chef aqui é meio taipa pra certas coisas, hehehe

  9. Alexandre on February 10, 2007 3:12 pm

    Estou com sorte hoje Sandra! Estou aqui te lendo um pouquinho.
    Beijos!

  10. Juliano on February 10, 2007 7:50 pm

    Arte é pra quem tem dom? Deve ser, pq das minhas mãos, como você bem sabe, só sai ovo frito.

    Um abraço!

  11. Dourado on February 10, 2007 8:39 pm

    San, vou mostrar esse post pro Raimundo – amigo meu, e cozinheiro dos melhores q conheço.
    Eu cozinho tb, cozinho leite, cozinho água, cozinho ovo, cozinho chá…
    Abração, valeu pelo e-mail ‘carteirinha vermelha’.

  12. Carlos on February 10, 2007 9:29 pm

    Legal a dica da massa, depois eu vou arriscar : ) bjs…

  13. Nilson Barcelli on February 11, 2007 11:48 am

    Eu bem sentia que haveria algo mais na Sandra. Mas não sabia o quê, qual seria a peça do puzle que faltava…
    Pois é, na cozinha você é como a minha mulher, sente-a e faz de cada refeição um acontecimento de arte.
    Mas, puxando a brasa à minha sardinha, o mérito de um bom cozinhado não é de quem cozinha, mas de quem come.
    Porquê? É simples: você conhece alguém que cozinhe bem e goste de o fazer que não tenha em casa apreciadores da boa comida? Diga lá que na sua casa estão sempre com fastio…
    Fiquei com fome e a hora de jantar ainda vem longe… o remédio é lanchar (tenho ali umas salsichas alemãs que vão saber pela vida, com uma Warsteiner gelada, mesmo estando a nevar lá fora…).
    Bom domingo.
    Beijos.

  14. Arthur Episcopo on February 11, 2007 8:11 pm

    Minha amiga !!!
    Mais um gosto em comum ! Curti algumas dicas suas, como a do queijo no arroz… Vou fazer quando puder, pq fiquei com muita vontade !!!(rs)
    Bjs.

  15. MarcosVP on February 12, 2007 2:07 pm

    Humm… adoro cozinhar. E tenho grande respeito, um respeito quase covarde, quase subserviente pelos risotos. Ao contrário de quase tudo o que eu me meto a fazer, meus risotos estão sempre aquém dos elogios que recebem. Mas um dia eu dominarei esse prato que, não parece, mas é cheio de delicados caprichos…;-)

  16. karini on March 25, 2007 2:32 pm

    porfavor…. me manda uma receita de queijo coalho bem pratica

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