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3 monkeys – Millie Ballance

Passado o acontecimento do plágio e ânimos serenados, sinto-me na obrigação de fazer este post, por mim, pelos envolvidos e por todos nós, que usamos a internet para expor nossos trabalhos.
Não é de hoje que nos deparamos com casos de plágio. Músicas, livros, enredos de novelas, contos, roupas, monografias e trabalhos escolares… Tudo o que depende de criação é passível de ser copiado. Tudo, T.U.D.O. pode ser copiado. Não deve, mas pode.
Quantos não se lembram da condenação de Roberto Carlos por plágio? Sim, até o “rei” já cometeu este delito.
Quem se lembra dos famosos saques criados por Bernard e Renan – “Jornada nas Estrelas” e “Viagem ao Fundo do Mar”, este último utilizado em larga escala por jogadores no mundo todo?
Quem é que, até hoje, não tem vontade de estrangular o pessoal de marketing da Ultragás que, logo após trocar o buzinaço por uma música feita sob encomenda, foi descaradamente copiada e é obrigado a ouvir “pour Louise” num arranjo pior que ligação em espera?
Um namorado, apaixonado, pode muito bem entrar aqui no site, escrever um poema meu num pedaço de papel e entregá-lo à sua amada, chamando para si a autoria. Quem vai saber? Nestes casos, nem proteger o FrontPage do site evita o CTRL+C/CTRL+V!

Todos os objetos, literatura e outros produtos podem e DEVEM possuir um “registro de marca”, uma patente ou ter seus direitos autorais reconhecidos. Mas é um trabalho árduo. No caso de obras literárias, se não forem publicadas, devem ser listadas e enviadas à Biblioteca Pública Nacional, com a GRU paga.

Pesquisando sobre direitos autorais, o artigo 7 da lei 9610, de Fev/98 pareceu-me explícito:

Das Obras Protegidas

Art. 7º São obras intelectuais protegidas as criações do espírito, expressas por qualquer meio ou fixadas em qualquer suporte, tangível ou intangível, conhecido ou que se invente no futuro, tais como:

I – os textos de obras literárias, artísticas ou científicas;
II – as conferências, alocuções, sermões e outras obras da mesma natureza;
III – as obras dramáticas e dramático-musicais;
IV – as obras coreográficas e pantomímicas, cuja execução cênica se fixe por escrito ou por outra qualquer forma;
V – as composições musicais, tenham ou não letra;
VI – as obras audiovisuais, sonorizadas ou não, inclusive as cinematográficas;
VII – as obras fotográficas e as produzidas por qualquer processo análogo ao da fotografia;
VIII – as obras de desenho, pintura, gravura, escultura, litografia e arte cinética;
IX – as ilustrações, cartas geográficas e outras obras da mesma natureza;
X – os projetos, esboços e obras plásticas concernentes à geografia, engenharia, topografia, arquitetura, paisagismo, cenografia e ciência;
XI – as adaptações, traduções e outras transformações de obras originais, apresentadas como criação intelectual nova;
XII – os programas de computador;
XIII – as coletâneas ou compilações, antologias, enciclopédias, dicionários, bases de dados e outras obras, que, por sua seleção, organização ou disposição de seu conteúdo, constituam uma criação intelectual.

Expressas por qualquer meio”. Internet é um meio de publicação. A partir do momento em que posta um conto, um poema, uma crônica, uma frase, qualquer texto INÉDITO, o dono do blog ou site passa a ser o autor, perante a lei, daquela obra e somente ele tem o poder de ceder ou não seu texto para ser exposto em outro local.

Entraram em minha casa, me roubaram e eu gritei “pega ladrão!”. Acho que não exagerei em minha atitude. Estou no pleno direito e coberta pela lei, de não aceitar essas aberrações imorais que acontecem. “Ora”, dirão alguns, “foi só um poeminha”. Foi. Um poeminha. E daí? Poderia ter sido uma frase. Um círculo com um risco no meio, um post em branco… Mas É MEU! Não no sentido possessivo do “meu”, mas no direito de receber os créditos por algo que criei. Se quero uma imagem para ilustrar um post e sei quem é o autor, faço questão de colocar o nome. A obra, que me apeteceu, tem um criador que merece, no mínimo, que eu cite seu nome.
O que quero dizer aqui é que NÃO PODEMOS deixar que isto aconteça. Nunca. Nós temos o péssimo costume – e me incluo neste rol – de relevar os problemas, acontecimentos que se passam com outras pessoas. Até que aconteçam conosco. Aí dói. Ofende. Avilta.
O Afonso levantou um ponto relevante num e-mail que trocamos: “Se levares em conta que existem mais de 55 milhões de blogs no mundo, é extremamente difícil, estatisticamente falando, detectar quem nos copia. E se tivesse sido um blog em japonês, terias sabido? Claro que não!”.
Ele está coberto de razão! E é aí que o título deste post entra, finalmente… O que estou discutindo aqui é uma questão de ética, de caráter. Isto não é questão de educação. A educação de um ser humano vai até certo ponto. Os pais não podem ser culpados pela falta de moral e caráter de um filho, eternamente.
Num país onde exemplos de falta de ética, maracutaias, roubos consentidos, obras superfaturadas, ladrões de dinheiro público ainda atuando na política pipocam na TV a cada 5 minutos, o que podemos esperar? Que o povo, que vê e assiste a tudo isso calado, ache que este comportamento é “normal”, “natural” e também se aproprie de bens alheios.
Moral e caráter se moldam ao longo do tempo. As pessoas não “formam-se” em conseqüência do meio em que vivem. As pessoas moldam-se conforme suas próprias conveniências, pelo esforço que estão dispostas a despender para conseguir alcançar objetivos, posição social, amealhar alguns bens. Formam-se pela rapidez de resultados.
É tão mais fácil roubar um bem alheio, vendê-lo e pegar uns trocados que trabalhar o mês todo, num escritório, e ganhar a merreca de um salário mínimo, não?? “O tonto que trabalhe para comprar seu carro, e o outro que escreva algumas palavras e eu vou lá só para roubar!
E é contra pensamentos desvirtuados e imorais desse tipo que temos que brigar. Temos o direito a uma vida sem violência, sem assaltos (virtuais ou reais), sem medo. Temos que brigar para que maus exemplos de roubo, seja na vida pública, política ou privada, acabem e sofram punições. Temos que parar com essa coisa de que, se não nos atinge diretamente, desligamos a TV, rasgamos o panfleto, deletamos o e-mail.
Não quero ser a eterna tonta que se cala frente aos inúmeros “assaltos” que vemos todos os dias! Não quero ser imagem fiel dos “3 macaquinhos” que não vê, não fala, não ouve o que acontece à minha volta. Chega!
Mas, além de proteger nossa criação, vale fazer um “blogaço” (ou “denúncia coletiva em blogs”, com ampla divulgação). Uma “passeata virtual” contra essas atitudes mesquinhas de algumas pessoas que não possuem originalidade nem moral. Meu “causo de assalto” foi exposto por: Dourado, incluindo a primeira versão do termo “plágio” na Wiki, Rica, Juliano, Afonso, Alexandre, Roberto, Eduardo, Yvonne e DaniCast, esta, aliás, que revisou o termo na Wiki e que leva, há muito tempo, a bandeira contra plágio. Levava sozinha. Ganhou uma aliada para dividir o peso.
Agora, sobre o plagiador e sua “arte”, como diz um dito popular (sem autoria conhecida), “rei morto, rei posto”.
E querem saber? Garçom, fecha a conta e passa a régua!


Versão(0):
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Obrigada pelas indicações.


Autoria:
Sandra Pontes


®
TEXTO REGISTRADO NA BIBLIOTECA NACIONAL. PROIBIDA REPRODUÇÃO SEM PRÉVIA AUTORIZAÇÃO. SUJEITO ÀS PENALIDADES PREVISTAS NA LEI 9.610/98 DE DIREITOS AUTORAIS.
PLÁGIO É CRIME! E OS TEXTOS CONSTANTES NA INTERNET POSSUEM UM AUTOR. PENSE NISSO ANTES DE USAR O COPIAR/COLAR.



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Comments


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11 Corajosos!!!


  1. Yvonne on March 25, 2007 7:41 pm

    Sandríssima, não acho de forma alguma que tenha havido exageros de sua parte, muito pelo contrário. Se todos os brasileiros tivessem a sua garra, nosso país estaria bem melhor. Uma coisa que não entendo e que muito me incomoda é ver essas loucuras no mundo virtual. O Arnaldo Jabor e o Luís Fernando Veríssimo, dois colunistas do jornal O Globo que eu tenho assinatura, já falaram trocentas mil vezes que nunca escreveram a coluna X ou a crônica Y e ainda assim o povo insiste em dar créditos a eles. Outra coisa, já parou para perceber que Albert Einstein e Charles Chaplin viraram pensadores depois de mortos? Eu fico fula da vida quando leio uma frase bem babaca que foi atribuida a eles. Eu não consigo entender porque cargas d’água uma pessoa pega todo um texto e diz que foi escrito por alguma dessas pessoas.
    Esse cara que roubou o seu texto quis dar uma de gostoso e não imaginou que você iria descobrir. Um poema não é nada diante da grandeza da vida, mas porra é o SEU POEMA e você como MÃE tem todo o direito de zelar e cuidar do seu filhote. Você colocou através do blog todo um sentimento que só diz respeito a VOCÊ e ninguém pode se dar o direito de roubar isso de VOCÊ.
    Querida, prá terminar, gostaria de dizer que você é maravilhosa demais e é muito maior do que esse canalha e outros que possam aparecer. Todo mundo tem uma Sandra na sua vida, mas só nós que freqüentamos a sua casinha temos uma grande SANDRA PONTES.
    Beijocas solidárias e amigas

  2. D. Afonso XX o Chato on March 25, 2007 9:46 pm

    Taí, que tal lançar uma \”Campanha pela ética blogueira\”? Este teu post, talvez com pequenas adaptações, poderia virar um \”manifesto pela ética nos blogs\”. Pede pra algum conhecido que saiba fazer selos. Poderia ser um tipo \”Este blog não plagia\” ou \”Plagio: aqui não!\”. Passamos a colocar o selo nos blogs com link para o manifesto. Que achas? bjs

    Amei a idéia!!! E já sei de um blogueiro que pode fazer o banner: Alexandre, do Contos&Cultos. Ele quem fez o banner do site! Tem trabalhos dele na \”Sala de Arte\”, para quem quiser.

  3. Yvonne on March 26, 2007 6:25 am

    Sandra, mencionei o seu caso lá no meu blog. Beijocas

  4. Edu on March 26, 2007 9:35 am

    Tá certa!!!
    http://escax.wordpress.com/2007/03/23/conversa-de-bar/
    (e sim, eu avisei a autora)

  5. Kith on March 26, 2007 10:30 am

    Maravilhoso texto, Sandra.
    Eu, que faço parte da turma dos “tontos” que preferem ganhar um salário mínimo por mês de trabalho honesto, já ví muita gente sem o mínimo caráter (principalmente superiores hierárquicos) apossarem-se de um trabalho meu (encomendado por eles, mas feito inteiramente por mim) e receber os elogios da chefia…
    Você bateu no ponto certo: ética e caráter. Não são muitos os que tem.
    Beijos

  6. Dourado on March 27, 2007 3:37 pm

    San, deve ser horrível postar em um local onde muitos postam (Wiki), já excluiram as Ligações Externas (ou eu não as consegui ver no computador q estou usando).
    San, na verdade já havia um tópico ‘Plágio’ na Wiki (só tentei melhorar, por sua causa, rsrsr).

    Não sei se vc já lei (Max e os felinos – LP&M – versão com depoimento do Moacyr Scliar), se não, faça como o Paulo Francis (ele não comprava livros, entrava nas livrarias de NY e lia-os um a um, rsrsrs).
    É um texto muito bom do Moacyr sobre plágio.

    Plágios na história:

    O Machado andou acusando Eça de Queiroz de plagiar o Flaubert (pelo menos é q minha memória me diz),
    Acredito q Nietzsche ‘usou’ toda a idéia de Dostoievsky (Memórias do Subsolo e Crime e Castigo),
    Shakespeare usou muito do teatro grego.

    A diferença é q eles não copiavam e colavam, eles melhoravam uma idéia já existente. Eram bons escritores.

    Vou deixar registrado aqui pela milionésima vez, Seus textos são muito bons, sua ficção é muito boa, vc tem mais é q defender mesmo sua criatividade. Sua cria.

    Creio q neste ínterim a gente pode lhe chamar de Balzaquiana + 10 sem problema algum, rsrs.

    Força, garra! Num sei pq desejo isso a vc, afinal vc tem de sobra.

  7. elaine cristina dos santos on April 16, 2007 11:24 am

    bom dia.queria tirar uma duvida:concorri num festival de musica de mha cidade com uma canção de minha autoria e consegui chegar na final,inclusive como favorita,então quando li a planilha de julgamento que recebi, um dos jurados afirmou q a melodia era idêntica a outra de uma compositora mineira de nome `joana’,(q ele rabiscou o nome de vermelho mas dava pra ler)porem não especificou o nome da música ,nem de q joana se tratava.pesquisei na net e não descobri nenhuma compositora chamada joana.existe a cantora JOANNA e ela é carioca e não conheço o trabalho dela a fundo.acredito q fui prejudicada pois fiquei em ultimo lugar.gostaria de saber ,se possivel se posso mover um processo por danos morais contra esse jurado quando for provado q ele errou em seu julgamento.grata.

  8. João Luiz on May 23, 2008 2:40 pm

    Cara Sandra.
    Estou utilizando seu texto em minhas aulas qu8ando discuto o plágio em trabalhos acadêmicos. Como são alunos de curso de artes, ele cai como uma luva.
    Beijos.

  9. Paulo on August 18, 2010 5:51 pm

    Boa tarde…
    Falando em plágio, teve um em Barretos, já imaginou plágio em Barretos, logo na Violeira Rose Abrão, os vencedores de todos os anos de Barretos plagiando música. O plágio acontenceu na música de Vanderley e Valtecy, simplesmente pegaram uma letra e colocaram em cima de uma melodia e arranjo da música O Meu Sonho…Será que vai ficar por isso mesmo, ou vão fazer alguma coisa…
    Obrigado pelo espaço

  10. valtecy on October 27, 2010 4:15 pm

    fiquei feliz com o que foi observado por voce Sandra,nesta questao do plagio,alguns amigos nossos que estiveram la em barretos,infelismente ja haviam nos avisado sobre o plagio da musica * Meu Sonho*.
    parabens a voce pela materia e o alerta sobre esta questao,pois nao podemos aceitar que alguem,sem a capacidade de criar,simplesmente se benficie do talento, inspiracao,e sentimento puro,engane e trate com falta de respeito, aquele que realmente criou a obra,o poeta.Desta forma ao plagiar o arranjo da musica, simplesmente,demonstram eles, nao terem capacidade alguma em ser tambem um criador.
    Parabens: Valtecy, dupla VANDERLEY E VALTECY. um abraco

  11. Sebastião Marcio on March 31, 2011 4:16 pm

    Olá Dandra,

    Gostei muito do seu texto, veio de encontro ao que estou estudando sobre direitos autorais, Gostaria de trocar essa pergunta contigo. Na musica Brasileira, existe algum tipo de plágio em alguma musica e que teve puniçao? Gostaria que respondesse no meu email. Obrigado.

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