Às vezes me pego numa inércia latente, uma sensação estranha de abandono, apatia extrema. De repente, como que movida por algo invisível, um estímulo sem cor, forma ou cheiro, vem a vontade de viver tudo ao mesmo tempo. Com urgência.
Senti esta urgência quando li “Depois parou”. A ultima frase de “Virgínia Berlim”, de Luiz Biajoni.
Quem pensa que é um livro leve com uma historinha babaca, não leu com atenção. Não parou, no meio, para respirar fundo e pensar que poderia acontecer consigo ou amigo próximo.
A história, mais que uma narrativa masculina e apaixonada, mostra como muitas vezes expressamos silenciosos pedidos de ajuda. E ninguém os ouve. Nem nós mesmos.
Mais que preso num apartamento o narrador se prende ao amor. E é nele, no pequeno apartamento, que vivemos VB.
E onde encontramos um pouco de VB dentro de nós mesmos.
Autoria: Sandra Pontes
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