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Imagem: Casa Americana – Estilo Queen Ann

Dia desses, conversando com o Marcus, acabei lembrando (e contando a ele) duas histórias. O assunto veio à baila quando comentávamos sobre seu post sobre o Dia de Finados.
Ambas ocorreram comigo. Estranhas. Singulares. Sim, claro. Há uma explicação religiosa. O espiritismo mesmo as explicaria com o pé nas costas. A segunda, muitos não espíritas, tais como psicólogos, médicos, tanto a reconhecem como são ministrados cursos e tratamentos de traumas, fobias, etc. Mas vamos logo contar esses dois causos:


A Perseguição

Meus irmãos já estavam com 9, 11 e 14 anos. Meus pais não pensavam em ter mais filhos. Ainda mais cuidando de meus avós paternos e um tio, outra criança, com todos já grandes estava, definitivamente, fora do contexto. Aparentemente.
Até que o guarda-roupa no quarto dos meus pais começou a estalar durante a noite. Todas as noites. As lembranças dizem que pareciam murros.
Quase todas as noites, também, meu pai tinha o mesmo sonho, daqueles que chamamos de “recorrentes”. Algo o perseguia. Ele corria, corria e seu perseguidor não dava trégua. Mas meu pai nunca o via. Sabia que alguém estava atrás dele. E o guarda-roupa estalando. Os sonhos. O guarda-roupa. O pessoal ficava com medo daquele móvel barulhento. E os sonhos não paravam.
Cansado de fugir, meu pai, mesmo dormindo, resolveu “pagar para ver”. Parou, virou-se e esperou. Era uma garotinha. Ao alcançá-lo jogou-se em seus braços. Os estalos (ou murros) pararam. E minha mãe engravidou. De mim…


A Casa

Um pouco antes de engravidar do Léo, fiz terapia. Algumas consultas, poucas resoluções. Mas uma sessão ficou marcada a fogo na memória. Essa eu não esqueço jamais.
Estava meio tensa e a psicóloga sugeriu um relaxamento. Deitada num colchão no chão, olhos fechados, silêncio. Somente sendo guiada pela voz baixa. Ela iniciou o relaxamento me transportando para um lugar calmo, uma campina, com mato baixo, sem árvores. Não sei em que ponto eu não segui mais suas instruções e comecei a andar “sozinha”. Árvores apareceram pelo caminho estreito e eu continuei nele. Do nada, encontrei uma casa, estilo americano, de 1800 e alguma coisa. O caminho acabou do lado esquerdo desta casa. Dois andares, madeira pintada de vermelho queimado (ou terracota). Decidi ir até a frente. A escada branca, de quatro degraus me convidou a uma varanda grande, espaçosa, onde janelas, também brancas, estavam abertas. A porta, igualmente branca, não estava trancada. Abri e entrei num hall estreito. Ao fundo, uma escada estreita, com dois lances visíveis. À minha direita vi uma biblioteca. Entrei. As grandes prateleiras do chão até o teto estavam inteiramente preenchidas com livros. Encadernação bonita. Sólida. Saí da biblioteca com a certeza de que deveria subir aquela escada estreita. A certeza tinha o mesmo tamanho do medo do que eu veria. Mesmo assim, subi. Não vi nada além da porta fechada do último quarto, localizado no sótão. Abri com cuidado, para não fazer barulho. O quarto recebeu a claridade da janela externa, pois estava fechado, escuro, sombrio. Uma cama grande, de casal, foi o único móvel que enxerguei. Mas, além da cama, outra coisa foi vista por mim: uma pessoa, deitada de lado, de costas para a porta.
Aproximei-me devagar, com medo de acordar quem estava dormindo. Estranho que eu sabia quem era. Mas não queria ver. E mesmo assim, com minha mão direita levemente instalada no ombro da pessoa, fui virando-a devagar. Era uma senhora. Velha. Era eu. A certeza era tamanha que eu sabia até o porquê dela (ou eu) estar ali. Estava morta. EU estava morta. Quando me reconheci naquela senhora, gritei e chorei muito para me tirarem de lá. A psicóloga – que não estava esperando, de forma alguma, este acontecimento – sofreu um bocado para me trazer de volta. O que era para ser um simples relaxamento virou uma pequena sessão de regressão. A casa é bem parecida com a da foto. Não é a mesma. Estranho que, depois dessa pequena experiência, entendi minha facilidade de “sonhar em inglês” sem tecla SAP ou legendas. Encontro pessoas em sonhos e conversamos muito. Quando acordo, não faço a mínima idéia sobre o que falamos.

E você? Tem alguma experiência sem explicação, haamm, digamos, científica para contar???


Autoria:
Sandra Pontes


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Comments


This entry was posted on Tuesday, November 6th, 2007 at 10:08 pm and is filed under À parte, Minha Opinião (ou Minhas "Achices"). You can follow any responses to this entry through the RSS 2.0 feed. You can leave a response, or trackback from your own site.

12 Corajosos!!!


  1. Marcus Oliveira on November 6, 2007 10:48 pm

    Freud não explica mesmo, ele não nao podia falar em espíritos quando começou com a psicanálise. Longa história.

    Enfim, muito legais suas experiências. A ciência que perde tempo em não estudar isso a fundo. Mas quem precisa deles para isso? hoho

    Beijos

  2. Erika on November 6, 2007 11:19 pm

    Afinal o que vc velha e morta deveria significar?

    Eu sou muito curiosa sobre essas coisas, San… e acredito fielmente que pessoas e coisas podem se comunicar por portais, sejam eles de espírito ou de tempo.

    Já senti e pressenti muitas vezes, muitas coisas que me aconteceram, até muito tempo depois.

    É engraçado como a minha sensação sempre é meio física… me sinto daquela maneira e já sei que algo vem, mas acho que nunca vi assim imagens com clareza. Não me lembro.

    E eu adorei a casa.. amo este estilo.. rsrs

    Beijos

  3. Edu on November 7, 2007 9:49 am

    Credo, que se meu futuro filho ficar me perseguindo e batendo no guarda-roupa, eu corto o pinto fora! Meda!!! 🙂

  4. Thera on November 7, 2007 11:59 am

    Eu não tenho explicação para essas coisas não, só meda de acontecer comigo! 😛

  5. Kith on November 7, 2007 5:21 pm

    Eu sonhei (quando tinha uns 25 anos), que estava num apto. estranho. Ia até a cozinha, abria o gás do forno e colocava a cabeça dentro!
    Acordei sufocando e sentindo um forte cheiro de gás. Não consegui mais dormir, nessa noite.
    No dia seguinte, soube que uma conhecida, que era muito parecida comigo (parecíamos até irmãs gêmeas), que eu não via ha mais de 8 anos, havia se suicidado inalando gás, na noite anterior, exatamente na hora em que eu sonhava!

  6. Dourado on November 7, 2007 10:50 pm

    Não, minhas experiências são todas supernaturais!

  7. Luma on November 8, 2007 12:05 am

    🙂 Alegre-se!! Essa menininha só quer vida, muita vida! Tem medo de morrer e só! Talvez seja a hora de passar a encarar a morte não como uma fatalidade, mas como desapego das coisas mundanas. Beijus

  8. Teresa on November 8, 2007 10:44 am

    quantas coisas inexplicáveis!

  9. Társis on November 8, 2007 2:47 pm

    Claro que Freud não explica, isso é tá mais pra coisa pro Jung.

    😀

    ATENÇÃO: PROIBIDA REPRODUÇÃO UNICELULAR DESSE COMENTARIO SEM PRÉVIA AUTORIZAÇÃO EM 5 VIAS AUTENTICADAS. SUJEITO ÀS PENALIDADES PREVISTAS NA LEI 666 DO CAPETA.

  10. carol on November 13, 2007 9:25 am

    Sandra, uma vez eu bebi demais numa festa e passei muito mal, ficando em estado quase comatoso.
    Minha mãe voltou de viagem e me contou um sonho terrível que teve comigo, na noite em que eu estava naquela festa, e relatou exatamente o que tinha acontecido, descrevendo a casa em que eu estava e todas as circunstâncias.

  11. Viva on November 14, 2007 10:37 pm

    Nunca passei por estas situações mas adoro ouvir essas estórias…

  12. Mara Santana on March 16, 2010 6:26 am

    Dra. Sandra , pesquisando no Google encontrei esses seus relatos e gostaria de afirmar categoricamente também tenho um guarda- roupa que estala….

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