Em menos de um mês deparei-me com sentimentos parecidos e atitudes diferentes na blogosfera.
Uma blogueira desabafou, em um post, sobre a ausência de retorno em seus textos.
Outro blogueiro fez, esta semana, um post de despedida e abandonou a rede.
O que acontece neste nosso mundo? O que leva um blogueiro ir do desabafo a uma decisão mais radical e abandonar a Net? Seria, talvez, falta de retorno, diretamente ligado ao número de comentários?
Mas nem sempre ausência de comentários está intimamente ligada à falta de interesse. Muitos blogueiros fazem textos maravilhosos, sejam eles em verso ou prosa, realidade ou ficção e a quantidade de “comments” não faz jus ao teor. Outros escrevem textos engraçados, ou até mesmo polêmicos e aí sim, há grande retorno.
Já li gente (um aparte: ter blog não necessariamente significa “ser escritor”) distribuindo convites de parque de diversão em troca de comentários (????). Se houve retorno? Não sei… Nunca mais voltei.
Já li gente (sem o mesmo aparte) que faz CTRL+C / CTRL+V de textos alheios (fácil se auto-intitular blogueiro às custas dos outros, não??) sem um pingo de peso na consciência e querer comentários!!! Se for para comentar, vou fazê-lo no texto original, do próprio autor, que merece todo o mérito pela escrita. Bom… Não me cabe aqui julgar este ou outro. A blogosfera é livre e cada um mostra o que possui de melhor.
O que percebo, pelo meu e, pelos blogs que leio diariamente: quanto mais textos engraçados, mais comentários. Num texto leve, sem conotação pessoal, mais os leitores (blogueiro também é – e deve – ser leitor) sentem-se livres para comentar.
Se for um texto que gere polêmica, então, aí é hora de ser “livre” ao ponto de fazer comentários anônimos!
No lado reverso, ou seja, quando se percebe que é um tema íntimo, mais as pessoas se escusam – e economizam – em comentários, como se tivessem medo de “meter a colher em assunto alheio”.
Outro fato que lota uma caixa de comentários é a exposição na mídia, mais centralizado (porém, não único) na TV. Exemplo? Um blogueiro foi tema de uma reportagem de um jornal local. Nos dois dias seguintes foi praticamente disputado a tapas um espaço em sua caixa, com gente pedindo seu MSN, “add no Orkut”, e-mail e outras formas de se “ligarem” a alguém famoso. Alguns dias depois o blog retornou com seus freqüentadores habituais (provavelmente com alguns a mais que realmente valorizaram o trabalho desde escritor. Falando nisso, o senhor prometeu a uma amiga em comum me adicionar no seu MSN. Tô esperando até agora!!! Hhuummmpppfff).
Eu mesma fui alvo de “assédio” não explícito: na semana da festa do copo, o blog teve seu número de freqüentadores duplicado (vindos do link da página da festa). Hoje, o número de leitores aumentou significativamente, mas não se compara (espero que um dia, sim!) àquela semana de maio.

- Huummm, Sandra. Posso interromper? Você deu voltas e ainda não entendi direito esse seu post…
- É. Desculpe. Foi tudo ao mesmo tempo. Posso resumir, então?
- Deve!
- Tá bom.. Lá vai:

* Com a blogueira que desabafou comentei em seu próprio post. Com o blogueiro, trocamos e-mails (com direito a um convite para um churrasco. E eu vou, viu?!?!?!). Não parem de postar. Não parem de escrever. Se os leitores gostarem, ótimo. Se não… Continuem!

* Devemos escrever para nós e por nós. O que importa, realmente, é a relação que temos entre os textos e o que pensamos. Temos que ter coerência entre mente e tela. O blog, para nós, torna-se nosso reflexo e, porque não dizer, confessionário. O que importa é que estejamos satisfeitos com o que postamos e jamais postar para satisfazer os outros. Blog é satisfação e realização pessoal e quanto mais explicitarmos esta relação e prazer, maior retorno pessoal teremos;

* Copiar / colar textos alheios ou prontos não é considerado incapacidade, desde que não se torne uma constante. Quando este tipo de postagem torna-se corriqueira, seja em copiar textos, poesias ou letras de música, é hora do administrador do blog rever seus “modus operandi”;

* Caixa de comentários cheia não significa fidelidade ou notoriedade. Vale muito mais saber que existem leitores fiéis e ocultos no mundo todo, via Bloglines, link em blog ou na lista de Favoritos;

* Não é à toa que tenho, ao lado esquerdo, um link para o decálogo do blogueiro, feito com maestria pelo Idelber. O item 6 fala em visitas e, conseqüentemente, a recíproca: “(…) Na blogosfera haverá paz de se retribuir as visitas ao blogs de cada um na devida temporalidade baiana que deve reger as coisas, sem pressa, sem culpa e sem cobrança. Ao visitar o blog alheio o blogueiro também temperará o natural desejo da recíproca com semelhante tranqüilidade.”.

* Não citei os nomes (ou links) dos envolvidos neste post por razões óbvias. Cada um que se identifique, caso deseje. Se não quiser, também está ótimo;

* Com relação aos blogs em geral: Comento quando me sinto bem comigo mesma – ou segura – para expressar minha opinião, seja ela favorável ou não. Não me interessa se é um post pessoal ou “genérico”, desde que eu tenha afinidade com o assunto e possa agregar conhecimento ou gerar troca.

- Me fiz entender agora?
- Resumindo… Faça o que tem vontade?
- Mais ou menos. Faça tudo aquilo que você é capaz, sem se importar com que os outros pensam e sem esperar retorno. Faça única e exclusivamente por você!
- Tipo… Ligue o “phoda-se”?
- … É… Acho que sim…
- E será que ele volta e ela não desiste?
- Espero.
- E você? Vai desistir?
- Eu? Tá maluco? Eu estou até voltando para o Mimeographo!
- Você em dose dupla?
- Sim. Por que? Algum problema, fofo?
- Depois desse “fofo”? Nenhum!!

(Versão +1): Juliano, valeu pela dica! Aliás, “Escritos…” passou limpo pelo scan (No results found for Escritos Em Letra De Forma). Já o blog citado acima…

(Versão 0): Linda Beta, obrigada pelas palavras. Ei, blogueiro, sua esposa é maravilhosa!!!


Autoria:
Sandra Pontes


®
TEXTO REGISTRADO NA BIBLIOTECA NACIONAL. PROIBIDA REPRODUÇÃO SEM PRÉVIA AUTORIZAÇÃO. SUJEITO ÀS PENALIDADES PREVISTAS NA LEI 9.610/98 DE DIREITOS AUTORAIS.
PLÁGIO É CRIME! E OS TEXTOS CONSTANTES NA INTERNET POSSUEM UM AUTOR. PENSE NISSO ANTES DE USAR O COPIAR/COLAR.



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Comments


This entry was posted on Thursday, June 29th, 2006 at 5:59 pm and is filed under Bugs de Blogs. You can follow any responses to this entry through the RSS 2.0 feed. You can leave a response, or trackback from your own site.

14 Corajosos!!!


  1. Roberta de Felippe on June 29, 2006 6:53 pm

    É, pois é… Aquilo tudo que escrevi no meu post reflete bem a minha maneira de pensar e nós, você e eu, concordamos em muita coisa. Obrigada pelo email. Beijo enorme!

  2. Helder da Rocha on June 29, 2006 7:18 pm

    Eu geralmente comento pouco. Tenho fases. Geralmente eu aprecio a leitura e não sei o que dizer. Não quer dizer que eu achei ruim. Se eu ler até o fim não é ruim. Geralmente quando o texto é muito bom não tenho mesmo nada a acrescentar. Às vezes estou inspirado, como agora, e comento porque vieram as palavras. Eu acompanho este blog pelo Bloglines. Acho que só comentei aqui uma outra vez, Sandra, na época da tal festa do copo (que também dobrou as minhas visitas :-)

  3. Alexandre on June 30, 2006 8:21 am

    Sandra! Deixo como comentário aqui meu texto “TODOS QUEREM SE FAZER OUVIR.” Confesso que pensei várias vezes em fazer o que o Roberto fez. Mas, eu adoro escrever, é um vício delicioso. Vou continuar até onde der!
    Beijos

  4. Yvonne on June 30, 2006 11:31 am

    Sandra, quase todos os dias eu entro nos meus blogs prediletos. Tem um blogueiro que eu sei que gosta muito do que eu escrevo, mas ele nunca comenta nada. Eu entendo o silêncio dele e em nada me incomoda.
    Uma coisa que eu acho chata é a frase do tipo “Adorei o blog, eu kero q vc vá lá no meu também”. Nunca recebi nada do gênero, mas quando leio nos blogs alheios fico fula da vida.
    Eu gosto muito de escrever e graça ao NPN eu estou desenvolvendo isso cada vez mais.
    Beijocas
    Yvonne

  5. Renata on June 30, 2006 9:56 pm

    Antes de comentar geralmente leio os comentários e então me deparei com a Yvone dizendo isso: “Uma coisa que eu acho chata é a frase do tipo “Adorei o blog, eu kero q vc vá lá no meu também” (…)” e perdi o pensamento que tinha em mente. Já recebi em dois, três meses de blogs alguns comentários assim no e-mail e nos comentários e acho horrível. Se você gosta de um texto/blog, por que comentar exigindo que a pessoa visite, link seu blog ou comente no seu? Acho que a idéia dos comentários é compartilhar idéias, argumentar, mostrar o que sentiu ou pensou ao ler um texto, não medir o número de leitores fiéis e muito menos exigir retorno do comentário que fez. Afinal, ninguém é obrigado a falar nada, não é?

  6. João M on June 30, 2006 11:06 pm

    É por aí mesmo, Sandra. Comigo tem uma diferença… eu ganho comentários até nos posts mais, digamos, intimistas. Acontece sempre de eu ter 10 comentários em um post e nenhum em outro, eu até gostaria que comentassem nesse que não teve nenhum, mas tudo bem. Não é preciso ter as caixas cheias de comentários para saber que as pessoas gostam de mim. Já tenho 4 anos e meio nessa estrada e sei que tenho leitores fiéis mas que nunca comentam – no meu primeiro encontro de blogueiros aí em São Paulo, uma menina chegou em mim e disse que me lia SEMPRE, mas nunca escreveu pra mim. Nem precisa dizer o quanto fiquei feliz. Há vários blogs que eu leio sempre mas nunca comento, às vezes nem entro no blog, só no Bloglines.

    Essa questão do “famoso” aconteceu quando eu postei sobre um furo no Orkut, fui publicado até no Estadão e fui disputado mais ou menos como você descreveu. Depois tudo voltou ao normal.

    Quanto a copiar textos prontos, uma das metas do meu blog é fazer dele um repositório daqueles textos que “circulam pela internet”. Mas eu também quero escrever coisas minhas e tenho até que tomar cuidado.

    Beijão

  7. Sandra on June 30, 2006 11:18 pm

    Resposta coletiva:
    * Yvonne e Re. Concordo com vocês. Acho, no mínimo, uma invasão essa intimação “te visitei, então retribua”. O difícil é, ao retibuir a visita, ver que não há “ligação” entre os blogueiros; não há assuntos em comum. Saia justíssima! Às vezes “chamo” um ou outro para um post, mas quando tenho liberdade para isso, e nunca, jamais, na primeira visita!

    * Helder. Eu sei…rs… Estou aprendendo a te conhecer devagar. Lendo aos poucos. Na verdade, assim é que criamos a ligação. Não basta ler um, dois posts. Devemos seguir toda a trajetória do blog para nos sentirmos “íntimos”. Estou lendo sua viagem…

    * João.. Seu blog é uma doideira que eu amo de paixão, rio muito e indico sempre ao amigos “fora blogosfera”. Quando digo “linkam textos prontos” são links para outros blogs, mesmo, ou então uma cópia fiel do texto de outro. Acho medíocre demais se aproveitar de trabalho alheio, assim. Um autor escreve, vem um “mané”, copia todo o texto e ainda linka o cara!

  8. Jacque on July 1, 2006 1:17 am

    Com freqüência recebo visitas novas; daí dou uma passadinha no blog da pessoa e leio os posts mais recentes. Deixo um comentário agradecendo a visita e termino assim: “Sinta-se a vontade de voltar quando quiser”, ou seja, não imponho retribuições (e também não aceito imposições das mesmas). Se gosto do que escrevem, retorno sem que me peçam; se não gosto, não volto e pronto! Não tenho obrigação disso. E vem me ver quem quer. Comenta quem quer. Tem gente que faz da minha caixa de comentários um local para auto-publicidade (vêm pela primeira vez, não comentam nem uma palavra do que escrevi, mas reproduzem parte do post que está no próprio blog) – isso me irrita! Não retribuo a visita, nesse caso, de jeito nenhum. Quer fazer publicidade, que vá pra outro lugar! Tenho amigos blogueiros que me visitam com muita freqüência, mas nem sempre deixam comentários (não ligo pra isso). E pouco me importa se tenho 40 comentários ou 10; escrevo o que me dá na telha e inclusive o que não me dá (que tem sido uma freqüência, hehehehe). Comenta quem quer. Quem não quer, não quer, pronto! Não me torturo por isso.
    Gostei do assunto; dá margem pra muitos outros posts.
    Beijos.

  9. edu on July 1, 2006 10:33 am

    Não sou escritor nem tenho pretensões de. Por isso mesmo, se alguém quiser copiar/colar qualquer coisa minha em qualquer lugar e levar o crédito… nem ligo! Não faço do blog um “trabalho”, não quero direitos autorais. E acho que tem muita gente que não liga também. Tem um que até me linkou como “franquia”, hehehe. Mas quando percebo que liga, aí eu menciono adequadamente.

  10. Nina on July 1, 2006 4:15 pm

    Hum…

    Só tenho que te parabenizar pelas palavras exatas…

    Beijos!

  11. Cristiano Contreiras on July 1, 2006 11:22 pm

    Uma coisa é certa, as pessoas tendem a ter preguiça de ler…
    quase sempre não ler sequer mais que 6 linhas de um texto…

    simples limitações.

    bj

  12. Juliano on July 1, 2006 11:47 pm

    Sandra, sabe que até hoje eu não fiz minha auto-análise?

    É sério…

    Concordo contigo quanto a relatividade do número dos comments.

    A propósito dos blogueiros copistas, tem uma ferramenta excelente para desmascará-los: http://www.copyscape.com

    Um abraço!

  13. Roberta de Felippe on July 2, 2006 2:23 am

    Só para complementar meu outro comentário… O que me deixa indignada não é a ausência de comentários, mas sim a ausência de pessoas que antes se diziam amigas e que, com a “fama” na blogosfera, passaram a ser importantes demais para visitar “qualquer blog”, entende? Como diz minha avó… Cose della vita. :)

  14. sandrapontes.com » Mosaico Digital on September 6, 2006 12:02 am

    [...] Descobri, sem querer, que além de colocar a licença do Criative Commons no site vou precisar de uma licença para a minha boca. Por quê? Nada demais… Só uma frase, na realidade, uma brincadeira que eu fazia com as cozinheiras do Bradesco com relação a um determinado prato, há uns anos atrás, e ainda uso de vez em quando, foi usada por outra pessoa (sic), numa publicação (aliás, o mesmo indivíduo auto-intitulado “blogueiro” já citado aqui na arte do copiar /colar dos outros). Antes que ele publique essa, também famosa entre os que me conhecem pessoalmente, acho melhor colocar aqui, por escrito (ao menos ESSA fica protegida de mais um plágio): [...]

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