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Imagem: Vetorizar

Se bem me recordo, meu envolvimento – direto ou indireto – com o além vem de bem pequena.
Deveria ter uns 5 anos quando minhas irmãs e amigas trancaram-se num quarto para fazer a famosa “brincadeira do copo”. O alfabeto em pedaços de papel, números de zero a nove e lá foram elas. Janela fechada, portas trancadas, mesa grande. Num extremo, elas sentaram-se e fizeram o círculo com os papéis. Na outra extremidade da mesa, um vazio. Somente uma cadeira. E onde estava eu? Com o ouvido grudado na porta… Silêncio a princípio. Vozes sussurradas. Logo em seguida, o som de uma cadeira arrastando, gritos, outras cadeiras caindo e correria. Elas saíram da sala mais brancas que neve… Disseram, juraram que a cadeira, aquela lá sozinha, arrastou. Nunca mais quiseram brincar…
Mas eu também fui adolescente. O copo não funcionava conosco então decidimos tentar o livro. Sim, um livro de literatura, aberto bem no meio e enrolado sete vezes na vertical com linha branca; mais sete voltas na horizontal, formando uma cruz; fecha-se o livro e mais sete voltas e mais sete. Nova cruz. Uma chave antiga foi presa à linha vertical que foi amarrada pelo lado de fora do livro. Duas pessoas sustentavam a chave, com o dedo indicador da mão direita. E a brincadeira começou. As perguntas eram feitas de forma que a resposta fosse sim ou não. O livro “virava” para a esquerda quando a resposta era não. “Sim”, lado direito. Testávamos as perguntas e a veracidade do “livro virando”. E ele só virava se alguma pergunta feita ou se nós virássemos ostensivamente nossos dedos. Nenhuma pergunta, livro imóvel… Até que o “livro” cansou de responder e a luz da casa em que estávamos, de uma amiga do colégio cujos pais trabalhavam, acabou. Mas foi só da casa. Saímos perguntando aos vizinhos se eles estavam sem luz também. A resposta, em 100% das perguntas, foi: Aqui temos luz, sim. Amedrontadas, entramos na casa, retiramos a chave, desamarramos o livro e… Sim. A luz voltou. Nunca mais fiz essa brincadeira.
A última, e mais marcante, foi num feriado. Finados. Estávamos num sítio alugado. Afastado da cidade. Sem vento… Madrugada quente. Vozes eram ouvidas. Olhávamos pela janela e não víamos ninguém. Decidimos dormir para ver se a noite acabava mais rapidamente. A porta do quarto estava fechada e eu deitada num colchão no chão. E ela se abriu violentamente. Pensei que fosse o vento (que não tinha). Levantei e fechei. Mal deitei e me ajeitei na cama e lá veio a porta de novo! Era como se alguém a empurrasse. Foi uma longa noite com o coração grudado na garganta… Ninguém conseguiu dormir naquela casa…
Se esses acontecimentos foram verdadeiros ou alucinações coletivas, não sei explicar. Se eu acredito neles? Não sei…
Só que eu não quero brincar com o além de novo!


Autoria:
Sandra Pontes


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Comments


This entry was posted on Sunday, September 30th, 2007 at 9:53 pm and is filed under Minha Opinião (ou Minhas "Achices"). You can follow any responses to this entry through the RSS 2.0 feed. You can leave a response, or trackback from your own site.

13 Corajosos!!!


  1. erika on October 1, 2007 7:25 am

    rsrsrs..já brinquei muito de copo… e já “morremos” várias vezes do coração.. de susto.. de alucinação.. rsrs

    acho que faz parte da idade essas coisas.. rsrs

    beijos san.. ótima segunda

  2. marilia on October 1, 2007 9:10 am

    Sandra, somos tres mulheres aqui em casa…Maria Julia, Joana e eu…Imagine o que já não rolou de copo, visões e brincadeiras? sem contar que acredito???
    (rsss)
    Claro que tenho medo!!
    Nossa, esse seu caso da porta…eu teria enfartadoooooooo!!!!
    Incluisve, já narrei algumas situações em meu blog, é coisa de gente meio maluca(?)
    Não sei dizer nada além de que acredito…
    Bjos boa semana, e…tem presentinho proce lá no meu blog!

  3. alexandre on October 1, 2007 1:37 pm

    Sandra…o mundo do ‘além’ não está assim tão além do nosso!

  4. Anderson on October 1, 2007 2:03 pm

    Nossa Sandra, você me levou até minha infância, adolescência, sei lá… só sei que brincava muito também. Engraçado que as histórias são as mesmas, não muda nada. Se fosse essa juventude de hoje poderiamos dizer que é algum e-mail que está rolando mas não é né?

    Brinquei com o copo e da forma que aprendemos tinha que quebrá-lo no final… hahahaha, um vez não quebrou!! atiramos ele umas 3 vezes na parede e nada…. lembro como se fosse hoje, lendo seu relato. Era tal de “neguinho” correr pra tudo que é lado. hahahaha.

    Do livro? nossa nem se fala, pior que quem não participava era “mariquinha” e os mariquinhas sempre viam os “machões” correndo de um lado pro outro com medo de alguma coisa. hahahahaha.

    Bons tempos, que ficavamos ate tarde da noite ou ate mesmo de madrugada, fazendo essas brincadeiras… bons tempos.

    abraço.

  5. Dourado on October 1, 2007 11:07 pm

    Já brinquei muito disso.

  6. Anna on October 2, 2007 11:09 am

    Puxa, eu nunca tive coragem de brincar disso!
    Sobre o além… acho que ele está presente do que pensamos…
    Melhor não brincar com ele mesmo!
    Beijo

  7. Anna on October 2, 2007 11:10 am

    Corrigindo…
    … MAIS presente do que pensamos

  8. Aninha on October 8, 2008 12:37 pm

    essa brincadeira é muito loka!!!ja brinquei disso várias vezes, e , ele vai onde a gente quer que ele va(se eu quizer que ele va no A ele vai no A) e as vezes diz umas mentiras

  9. cristiane on March 17, 2009 12:57 pm

    A sim dia 17/03/2009 eu brinquei eu mais uns c0olegas na escola eu para quem nao brincou eu digo o compasso fala a pura verdade
    bjus
    e uma boa brincadeira rararara

  10. Ana on November 20, 2009 11:08 am

    Eu sou viciada no jogo do compasso…
    queria muito brincar com o jogo do copo mais aki em ksa ninguem tem coragem… só meu irmão e eu;
    bjkas

  11. isabel salles on January 8, 2010 6:35 pm

    meu, esse negócio é sério meu marido conta que a brincadeira do copo quase enloqueceu um monte de gente, e que é verdade sim pois, o copo revelou na época a grávidez de sua namorada e de sua irmã entre outras coisas na época… se você dúvida tente a sorte… acredito muito,nestas coisas do além. bejusss.

  12. BIA on July 15, 2010 9:30 pm

    EU NUNCA TIVE CORAGEM DI BRINCAR DISSU O ALEM PODE SE ZANGAR(RSRSR)
    NÃO LI A MATERIA AINDA…VOU LER!

  13. Ramon Nobre on February 11, 2018 6:26 am

    Nossa, eu brincava disso com minhas irmãs e uma colega nossa quando éramos crianças, lembro que quem chegou com essa novidade foi uma colega de nome Evelinne, e digo que todas as respostas foram corretas, não me recordo mas como se faz, mas lembro-me que nunca teve nenhum efeito negativo, lembro-me ainda que quando o espírito estava no livro ele mudava de peso, gostaria de recordar como eram os procedimentos, iria ajudar a solucionar algumas questões.

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