E mais uma vez figura entre as “notícias do cotidiano” que um recém nascido foi encontrado “largado por aí”. Dessa vez eu não usaria o termo “largado” e sim “boiando por aí”. Prematura, a menininha foi encontrada por um casal quando boiava placidamente numa lagoa em B.H. O “mimo” da mamãe: amarrá-la em um saco plástico. Seria medo de molhar a roupinha? Ou, sendo esta mãe extremamente zelosa do bem estar dessa coisinha indefesa pensou que, agindo assim, estaria protegendo-a de um resfriado, gripe ou quem sabe, de uma pneumonia?

Descoberta e encontrada na casa do namorado foi convidada a explicar, na delegacia, tamanha demonstração de carinho e zelo. Coitadinha! Tão ingênua e crédula, disse que a culpa por tamanha desfaçatez foi de uma moradora de rua, a quem entregou a filha, juntamente com a imensa fortuna de R$ 5,00! Mas vamos dar um desconto, pois a “mãe” só tem 28 anos. Uma criança irresponsável, sem noção dos seus atos. Impossível imaginar como uma criatura tão desprovida de experiência materna pôde ter cuidado de outra filha, hoje com 10 anos.

Estou sendo irônica? Imagina!!!!! Impressão sua. Só porque tenho vontade de abrir uma cabecinha dessas e confirmar que é oca, não podem me acusar de ironia.

Vou ser sincera: nem todas as mulheres nascem com o famoso instinto materno. Eu mesma nasci com este defeito. Não tinha afinidades com pequerruchos nem a ânsia feminina de ser mãe. Mas aconteceu. E se esse instinto não se manifesta nem mesmo na gravidez, só posso chamar de amor! Mas em mim manifestou, sim! Que sensação é mais gostosa do que sentir, pela primeira vez, teu filho mexendo na barriga? E quando nasce? Aquela coisinha pequena, com carinha de “joelho”, olhinhos fechados, tão indefeso, dependendo de você para tudo? O primeiro “mamã” e você desmonta…

Vamos colocar assim, para não generalizar, rotular ou criar algum tipo de preconceito: Quantas pessoas neste mundo, com parceiros ou não, desejam uma criança? Quantas crianças, largadas por aí, não dariam a vida por uma casa, roupa, sapato, um prato de comida e amor, afeição?

Aí aparece uma desmiolada dessas, sem um pingo de compaixão que, ao invés de deixar em algum lugar seguro, quente, protegido para que alguém, com condições psicológicas para cuidar com carinho fique com o bebê, enfia dentro de um saco de lixo e joga num lago como se fosse a coisa mais normal do mundo e vai para casa. Vai para a casa do namorado dar mais uma e embuchar de novo??? Mais um saquinho no lago daqui nove meses? Lago virou desova? Lixão virou desova de filho enjeitado?

Vão alegar “desequilíbrio mental passageiro” ou “depressão pós parto”. Sei…

Tenho pena, sinceramente, da filha de 10 anos… Que lição de vida, que educação esta mãe deu!

Não defendo nem condeno aborto, mas defendo que pense um pouco antes de transar sem camisinha! E se assumiu que camisinha e papel na bala são a mesma coisa, que faça direito! Deixe em algum lugar que possam cuidar. Agora, jogar num lixão, num lago, nem animal irracional faz isso!

É nessa hora que dou valor àquelas mulheres que têm 5, 6 filhos, moram numa favela na periferia, trabalham o dia todo, ganham uma miséria, mas não abrem mão da sua prole!


Autoria:
Sandra Pontes


®
TEXTO REGISTRADO NA BIBLIOTECA NACIONAL. PROIBIDA REPRODUÇÃO SEM PRÉVIA AUTORIZAÇÃO. SUJEITO ÀS PENALIDADES PREVISTAS NA LEI 9.610/98 DE DIREITOS AUTORAIS.
PLÁGIO É CRIME! E OS TEXTOS CONSTANTES NA INTERNET POSSUEM UM AUTOR. PENSE NISSO ANTES DE USAR O COPIAR/COLAR.



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Comments


This entry was posted on Monday, January 30th, 2006 at 9:18 pm and is filed under Minha Opinião (ou Minhas "Achices"). You can follow any responses to this entry through the RSS 2.0 feed. You can leave a response, or trackback from your own site.

11 Corajosos!!!


  1. paulokunha on January 31, 2006 6:22 am

    oi sandra
    essa filha da p…. tem mais que ficar presa pelo resto da vida. o engraçado é que ela foi “convidada” a prestar esclarecimentos. pode? tenho pena é da criança de 10 anos, essa sim está fufu.
    bjs

  2. Yvonne on January 31, 2006 7:42 am

    Sandra, essa história abalou o Brasil. Quando a depressão pós-parto da mulher é forte o suficiente para tirar o seu equilíbrio emocional, simplesmente a mãe mata o filho na hora que nasce e não dois meses depois. Isso acontece com fêmeas mamíferas. No frigir de ovos, quem se deu bem foi a garota que se livrou dessa bruxa e que provavelmente vai encontrar uma boa família para educá-la e amá-la. A outra de 10 anos é que está muito mal. E também dou um viva para as mães que vivem na miséria e ainda assim amam seus filhos. Beijocas

  3. Alexandre on January 31, 2006 7:59 am

    Sandra!
    A raça humana é uma das mais nefastas para o planeta Terra. Do abandono de um filho à destruição do mundo. A maioria é do bem, mas o poder está nas mãos de poucos que encarnam do mal!

  4. Jacque on January 31, 2006 11:02 am

    Sandra, eu e um outro psiquiatra do CERSAM achamos que a moça não sofre de depressão pós-parto. Achamos que o problema dela é outro pior: psicose (é o que achamos). Nem sempre na depressão pós-parto a mãe mata a criança. Minha irmã teve depressão pós-parto (e ficou assim por 1 ano) e ela simplesmente não conseguia ter afeto pela minha sobrinha. Ela chorava muito e não conseguia cuidar da Marina. Hoje, graças a Deus, a relação das duas é de muito amor e ela chora e se culpa quando se lembra de não ter conseguido cuidar da minha sobrinha. Já na psicose puerperal, a mãe mata a criança sim logo que nasce ou nos primeiros dias.
    Porém, no caso da moça, achamos que ela é portadora de Psicose (não a puerperal). Ela não contou a ninguém que estava grávida; foi sozinha buscar a nenê na maternidade e já tinha planejado tudo. Tive uma paciente psicótica (já fazia tratamento antes da gravidez e quando ficou sabendo que estava grávida teve que interromper a medicação); 30 dias após o nascimento do filho quase matou o filho; ela contava que morria de medo dele; ela tinha medo que ele fosse prejudicá-la ou machucá-la e por isso quase o matou, se não fosse pela mãe da paciente ficar de olho nela, o pior teria acontecido. Após retornarmos com a medicação, a moça melhorou demais! Ía às consultas agendadas comigo e com a psiquiatra sempre carregando o filho e sempre dando o maior carinho. A princípio o caso da moça daqui de BH nos causa indignação e raiva, mas não podemos descartar a hipótese de doença. Se ela não estiver doente, deve ser punida sim e com rigor!
    Beijos.

  5. Jacque on January 31, 2006 1:14 pm

    Up date: Sandra, saiu na TV aqui em BH uma entrevista com um ex-namorado da moça. Ele diz que ela já tentou matá-lo por duas vezes com faca; e que ela é muito agressiva com todos. Cada vez mais acho que ela é psicótica mesmo!
    Beijos.

  6. >>>Edu<<< on January 31, 2006 6:57 pm

    eu queria criar um bezerrinho, junto com o Bichinho! Mas isso depois de alguns anos de casado, pra eu ter tempo de arpoveitar bem do mancebo! :-)

  7. D. Afonso XX, o Chato on January 31, 2006 10:52 pm

    A questão de ser doença ou não, é que os advogados se aproveitam disso pra livrar a cara dessa gente. É o fim da picada. beijão

  8. Viva on January 31, 2006 11:33 pm

    Essecaso é “incomentável” de tão horroroso. Ótimos esclarecimentos, Jacque!

  9. tesco on February 1, 2006 9:42 pm

    Precisamos olhar o caso com muito carinho e compreensão. A primeira reação é de raiva, mas o ser humano é racional e deve raciocinar e procurar entender todos os atos humanos.
    Mesmo o caso de depressão não justificaria o fato, embora o explicasse. Mas estamos todos sujeitos a essas anormalidades, pois o aborto é tão hediondo quanto isso, e muitas mãis ou futuras mães, consideradas normais, o cometem e não são condenadas por inúmeras outras pessoas, também consideradas normais.
    Há que considerar também, que o “demônio” é sempre o outro, nunca somos nós.
    Beijos, Sandrinha.

  10. Pat on February 1, 2006 10:54 pm

    Puxa,
    todo mundo já falou um pouco do que eu sinto. Sei que não precisa ser mãe para ter a vontade de voar no pescoço da infeliz.
    Doente ou não estou cansada de gente assim.
    beijos
    pat

  11. Andre on November 10, 2012 1:09 am

    Buen Aгtículo
    Мe guѕtó la forma en que escribe sobre el tema.

    Seguiré ѵolviendo esta web

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